O desembolso de crédito rural oficial em Goiás somou R$ 5,049 bilhões nos três primeiros meses do Plano Safra 2026/27 (período de julho a setembro), desconsiderando operações com Cédulas de Produto Rural (CPRs). O montante representa um tombo de 42,18% em comparação a igual intervalo do ciclo anterior, quando as contratações haviam superado R$ 8,73 bilhões. Os números constam na 1ª edição do Relatório de Acompanhamento do Desembolso do Crédito Rural, elaborado pela Gerência Técnica e Econômica da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) com base na Matriz de Dados do Banco Central do Brasil.
A retração atingiu em cheio o volume físico de operações: foram formalizados 9.845 contratos, número 29,70% inferior aos 14.004 registros firmados no mesmo período da safra passada. Com isso, a participação de Goiás no total desembolsado pelo crédito rural brasileiro ficou em 6,19%, posicionando o estado no 7º lugar do ranking nacional.
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A redução atingiu todos os estratos produtivos, mas penalizou severamente a agricultura empresarial de grande porte:
Demais produtores (médios e grandes): recuo de 45,15% no valor contratado (R$ 3,516 bilhões frente a R$ 6,411 bilhões da safra passada) e queda de 46,52% no número de contratos (2.605 operações);
Pronamp (médios produtores): baixa de 37,30% em recursos (R$ 1,195 bilhão) e queda de 40,57% nas operações formalizadas;
Pronaf (agricultura familiar): menor retração do período, com queda de 18,72% em valor (R$ 336,28 milhões) e recuo moderado de 4,36% no total de contratos (4.786 operações).
Custeio e máquinas despencam e comercialização cresce 48%
No recorte por destinação dos recursos, as duas principais finalidades que sustentam o plantio e a modernização tecnológica sofreram cortes drásticos. O custeio, espinha dorsal para a compra de sementes, fertilizantes e defensivos químicos, registrou retração de 45,16%, movimentando R$ 3,186 bilhões contra R$ 5,809 bilhões no ciclo anterior. Os financiamentos voltados a investimentos (aquisição de tratores, implementos e benfeitorias) caíram 37,48%, saindo de R$ 1,453 bilhão para R$ 908,73 milhões. As linhas de industrialização despencaram 88,03% (R$ 107,5 milhões).
Na contramão da retração geral, a comercialização foi a única modalidade com saldo positivo, apresentando uma expansão de 48,14%, saltando de R$ 571,6 milhões para R$ 846,8 milhões.
Dificuldades de pagamento e endividamento problemático
O relatório técnico da Faeg adverte que o encolhimento no volume de crédito decorre do aumento expressivo do risco de crédito percebido pelo sistema financeiro. Em agosto de 2026, a carteira ativa de crédito rural no estado atingiu R$ 78,841 bilhões. Desse total, R$ 57,092 bilhões (72,4%) seguiam em curso normal, enquanto expressivos R$ 21,749 bilhões (27,6%) foram enquadrados como saldo problemático.
Na composição das operações problemáticas da carteira goiana:
Operações renegociadas: R$ 10,833 bilhões;
Inadimplência (atrasos acima de 90 dias): R$ 6,977 bilhões;
Parcelas em atraso (entre 15 e 90 dias): R$ 2,221 bilhões;
Prorrogações preventivas: R$ 1,718 bilhão.
Com mais de um quarto da carteira operando sob estresse ou repactuação contratual, os bancos aumentaram as exigências cadastrais, travaram limites e endureceram as garantias reais, restringindo a liquidez na largada do plantio.
